Estudo aponta que homens sofreram mais com saúde mental do que física durante pandemia


Pesquisa realizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, criador da campanha Novembro Azul, avaliou os impactos da COVID-19 na saúde masculina Renata Mesquita.



A saúde emocional dos homens foi mais abalada que a saúde física durante a quarentena, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, que envolveu 1.080 homens, de todas as regiões brasileiras e com idades entre 14 e mais de 66 anos, entre os dias 15 de julho e 21 de setembro. Dados do estudo mostram que apenas 19% dos entrevistados se autoavaliam com boa saúde mental, enquanto 5% afirmaram ter questões envolvendo a saúde física.


Segundo o Ministério da Saúde, a covid-19 é mais letal entre os homens pardos, com mais de 60 anos e que apresentam comorbidades (ocorrência de duas ou mais doenças relacionadas no mesmo paciente e ao mesmo tempo). Nesse cenário, o Instituto decidiu investigar como o vírus e seus desdobramentos afetaram a saúde da população masculina.


Além de ouvir como a mudança de comportamentos ocasionados pela pandemia impactou a saúde física, o estudo também buscou entender, medir e mapear como a quarentena mexeu com o emocional.


A pesquisa apontou que 60% dos homens declararam ter ao menos um fator de risco ao agravamento da covid-19, e 15% apresentam a combinação de três ou mais fatores de risco. Os hipertensos são os mais apresentam comorbidades: 81% têm outra condição de risco, em particular obesidade, diabete e idade acima dos 60 anos.


No período de pandemia muito homens negligenciaram ainda mais o cuidado com a sua saúde. Houve diminuição de exames e consultas de rotina. Fatores que podem ter impacto importante na sua saúde no futuro, como o diagnóstico precoce de algumas doenças, como o câncer de próstata. E 44% declararam ter diminuído a frequência de visitas ao médico, 13% interromperam um tratamento médico que faziam antes da pandemia e outros 10% adiaram uma cirurgia ou procedimento. Apenas uma pequena parcela dos entrevistados - 17% - recorreu ao atendimento médico a distância, a telemedicina.


Os números sobre a saúde mental dos homens são os mais alarmantes: 96% dos participantes declaram que vivem na quarentena ao menos um sentimento negativo - de ansiedade, estresse, tristeza, desânimo e dificuldade para relaxar. "Conforme realizamos os cruzamentos de dados, percebemos que o sentimento que predomina é a preocupação com assunto familiares ou afetivos, o que sugere que a pandemia afetou mais os relacionamentos do que a experiência individual", explica Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.


A ansiedade é compartilhada por homens de todas as idades. Mas os sentimentos negativos são mais presentes em homens mais jovens - de 14 a 25 anos -, decrescendo à medida que a idade do homem aumenta. De acordo com o estudo, uma possível explicação é que após várias anos vividos a vida se torna mais estável, sem as pressões financeiras, afetivas e profissionais da juventude. Outro fator apontado para tais causas é que homens com menor contato com seus amigos têm sua saúde emocional fragilizada, e 44% dos participantes afirmaram ter menos contato com amigos (isso considerando mesmo o virtual, por vídeo ou voz).


Novembro Azul

O Novembro Azul é o movimento criado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida em 2011 e que se tornou de domínio público no Brasil. Sua principal mensagem é alertar para a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata.


Fonte: Por Renata Mesquita. https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/estudo-aponta-que-homens-sofreram-mais-com-saude-mental-do-que-fisica-durante-pandemia,a9f618dc1f72add2f725cb7302e54d4aatnpcsc0.html


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